Turbulências e Tribulações no Inverno da Vida

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Numa manhã fria de inverno paulistano, meu avião levantou vôo do aeroporto de Guarulhos. O tempo estava fechado, carrancudo, nublado e o nevoeiro não permitia distinguir os aviões no pátio. A pressão atmosférica era grande.
 No entanto, em poucos segundos, o Boeing 737-300, correu pela pista e alçou vôo.

 

Tinha-se a impressão de vôo à cega, pois eu não via nada devido à nevoa, mas em instantes, com muita turbulência, sacudindo toda a cabine, a grossa camada de nuvens foi atravessada e o sol nascente brilhou dentro da aeronave, que voava tranqüilamente.

        Da janela via-se abaixo um denso colchão branco, como flocos de algodão, disposto em camadas uniformes por toda a extensão do trajeto até o Rio de Janeiro. Só o pico do Jaraguá e os pontos mais altos da Serra da Mantiqueira eram vistos, perfurando as nuvens brancas.

        Alguns minutos depois nova turbulência perturbou a tranqüilidade da viagem, estávamos novamente dentro das nuvens, agora mais demoradamente num mergulho com os motores em desaceleração e a aeronave pouco a pouco atravessava a camada de cumulus-nimbus e o espetacular visual das montanhas e da costa do Rio se descortinava diante dos olhos extasiados dos viajantes.

        Fiquei imaginando como na vida diária nós todos temos pressões, clima frio e úmido, e quantos nevoeiros e neblinas que nos fazem ter dificuldades de ver claro, de perceber os detalhes e de sentir a intenção dos outros. Devido a coisas dessa natureza nós reagimos mal, somos sobressaltados por turbulências e tribulações e não somos pacientes e humildes o bastante para, simplesmente, esperar a hora de ultrapassar as nuvens.

        Ao chegar ao Rio, a cidade acordava, e o reflexo do sol na Baia da Guanabara era extremamente belo. O avião, tendo vindo do oeste, fez a volta para o sul, passou sobre a lagoa Rodrigo de Freitas, seguiu mostrando as belezas do Leblon, de Ipanema e de Copacabana, contornou o Pão de Açúcar e mergulhou em direção ao Santos Dumont, deixando ainda ver a enseada de Botafogo, o parque do Flamengo e, em detalhe, todo o charme da bela Cidade Maravilhosa.

        Como seria bom se, na vida, não houvesse aflições, dificuldades, opressões, estresse, doenças e situações por vezes até angustiantes nos invernos de nossa vida. Jesus disse aos seus discípulos: "No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo". (Jô 16.33). e ainda acrescentou: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei".(Mateus 11.28).

        Sejamos capazes de esperar com paciência no Senhor, como diz o Salmo 40.1, e veremos as maravilhas que Deus tem reservado para nós. Sabemos que sempre haverá obstáculos diante de nós, mas também que o Senhor nos dará a cada passo a vitória.

        Seremos capazes de perfurar a camada de nuvens carregadas, de sair do nevoeiro denso e então veremos coisas belas.

ORAÇÃO: "Senhor, perdoa-me por ser tão influenciável pelas circunstâncias adversas e por não confiar plenamente em Ti. Senhor dá-me mais paciência para esperar Tua providência e abre os meus olhos para que veja sempre a tua bênção sobre mim, mesmo quando sofrer as turbulências das intempéries do inverno da vida".

Pastor Paulo Roberto Sória